a bula do #382 / VAPODN#16 com andré midani…

toto, bola & kanza – “lamouka”

count basie – “you got to try harder”

sidney bechet – “avalon”

charlie parker

tv on the radio – “crying”

dj dolores – “deixa falar”

jam da silva & mc soba – “samba devagar”

rita lee – “frique comigo”

lester young – “jamming the blues”

lester young – “midnight symphony”

tom waits

ultraje a rigor – “inútil”

elis regina & tom jobim – “águas de março”

café tacvba – “cero y uno”

gil & jorge – “jurubeba”

ouça AQUI o programa

flavão “selvagem” e a selvageria na ilha…

Assunto: Kaôzotic stories

“É… surubada em Paris, picolé em Calgary, açúcar em Berlim, biscoito em Leeds. Que mundo!

E na Baía da Guanabara, Paquetá, Ilha do Amor, como será que andam as coisas?!

Meu preto, ontem tive que ir para o supermercado aqui na jurisdição da Ilha do Amor. A banana acabou (saca?) e sob ordens expressas da matriarca D. Capivara, 84, fui designado para tal missão.

O esquema foi Chernobyl: luva de mergulho/neoprene, máscara césio 137, capacete specialized fluorescente, uma faca que ganhei de um artesão no sertão do Piauí na cintura, bota de borracha, roupa velha e mais uma faca de mergulho, estilo Rambo o Empalador dentro da bota, nunca se sabe né?

Me dirigi inicialmente para um mercado “popular” tipo aquele famoso pelos aniversários sold out saca, skol 0,65 centavos, balde de margarina 1,90, carne 7,50 o kg. Fica localizado num bairro residencial, próximo de uma das subidas para o tal morro “que é ruim de invadir”. Pois bem. De carro passei em frente ao estabelecimento e por um segundo pensei que esse papo de Covid 19 era k-ô. Juro, arrisquei descer do carro e meio de longe, olhei, pensei, desisti e voltei pro 4×4. Juro, a casa estava muiiiito cheia. Cheio de irmão da mendicância na porta, carrinho de bebe pra lá e pra cá. A massa caindo pra cima de ovo de páscoa. Aí doido, uma loucura! Bolei…inacreditável!!!

Atônito, vazei dali e fiz nova tentativa, dessa vez num mercado conhecido localizado numa “avenida”, com acesso mais conveniente para quem chega de carro. Nesse você sentia a pressão psicológica, meio vazio, maior esquema de segurança com aqueles locutores informando os cuidados que deveríamos ter, mantendo a distância segura nos caixas, aguardar. Os clientes nitidamente, como eu, estavam na atividade.

Bom, durante as compras eis que me deparo com uma câmara fria lotada de “Rainéquen”, aquela ordinária holandesa, tá ligado? Como estou no período sabático imposto pela quarentena, chorei de emoção, depois ri, salivei. Era como se uma deusa dos países baixos, com aquelas tranças ruivas dissesse “vem Flavão, vem com tudo pra cima meu nêgo!”. Próximo a câmara, uma torneira e sabão líquido para os clientes higienizarem-se aí hahahahaha. Contabilizando o tempo que restava e os ítens a arrematar, peguei 4 latas, lavei e que felicidade. Uma a uma sendo sorvida naquela arapuca humana chamada supermercado. Que fim dessa existência dedicada a destruição de tudo e todos, massacrante, criando dependência das coisas mais inúteis possíveis. Que foda mal dada a de nossa espécie…

Entretanto, baixei a guarda achando que estava na moita, passando batido. Foi questão de tempo pra eu levar uma chamada “na moral”, papo retão do amigo da Swat que fica de butuca atrás de adictos e outros cidadãos suspeitos dentro do recinto. Com a diversão interrompida, Mercita e yo fechamos o pacote, vazamos e foi isso até chegar em casa e cumprir todo o protocolo ritual de limpeza para entrar na ocupação. As facas?! Não precisei usá-las…

Redigi esse kôzinho ouvindo Dark Doom Jazz (vários e meio sombrio), Stanley Clark (1974) e Billy Cobham (Total Eclipse, 1974). Todo abril “ovo” discos lançados em 74, mês/ano de meu nascimento. Aniversário, parabéns, lembrança roNca?! Já são 18 anos sem um “parabéns neguin, já é, me dá um real aê”…triste…

Que mundo!”

Prof. Salvaje,
Alive in Baía de Guanabara

o #382, hoje, às 22h, com andré midani…

dá pra escrever um tratado sobre essa edição que colocaremos, hoje, no ar.

nandão e eu estaremos LIVE na reprise do programa com andré midani, no VAPODN#16… isso mesmo, a tradicional falation do roNca está de volta, acredite… beijos, nivers, comentários desnecessários, batatadas, vozes desequilibradas… claro, numa operação de guerra sem ostentação / sem mastiguete do BiBi / sem pós produção mas lotadinha de amor para deixar sua ralação com o roNca galgando parâmetros… tudinho através de uma revolução tecnológica implantada pela TI (tá iNdo) do roNca, em ribeirão preto… globalization descontrolada!

mas o principal é a visita de midani, o mais importante nome da indústria fonográfica brazuka e que subiu ano passado para encontrar hendrix e cartola.

um detalhe que torna esse áudio ainda mais inoxidável é o fato dele ter ficado desaparecido desde que foi ao ar, na Oi fm, em 25novembro2008… nesse tempo, estávamos em plena mudança de configurações de arquivos, registros, compartilhamento e etc… conclusão, as duas horas do programa sumiram.

até que, ano passado, após um grito de socorro no site, pipocou o ouvinte rudy com o áudio do programa na íntegra e ótimo som… UFA.

portanto, essa aula de paixão pela música oferecida por andré midani é, praticamente, uma edição do roNca quase-inédita… já que nunca esteve arquivada no site roNca ou qualquer outra maloca.

ah, não estás ligando o nome de andré midani , nascido em damasco / síria, a nada interessante na sua memória, né? então, pra você não deixar de ouvir o #382, recomendo uma passada rápida por AQUI.

é isso, teremos às 22h, aqui no poleiro, uma performance sônica com andré midani… e lembrando que estaremos AO VIVO, em momento “olho parado” total com as presenças de mamede, dona deza, rosvaldo, rola & toda a turminha… hahahahaha!

I M P E R D Í V E L

(+ itunes, spotify, mixcloud, tunein, castbox, deezer., google podcasts..)

joão-berlim e marcio-calgary (ou aTRIPA de fora na pista)…

Subject: Notas de Berlin
“Fala MauVall, alô Nandão, alô tRipa!
Atendendo a convocacao, envio daqui de Berlin algumas letrinhas sobre a situation, situation pode? que esta pairando no momento. Berlin tem uma vida cultural, artistica e noturna das mais sinistróides do globo. São muitos museus (só os estatais são mais de 12, incluindo um só para fotografia, e ainda tem um privado de fotografia que tambem é foda!), cinemas, galerias, clubes, espaços pra shows de todos os tipos e tamanhos… muita coisa mesmo! E tudo isso está parado que nem água de poço.
O mais interessante é perceber como esse aspecto da cidade, a vida cultural, é tão importante pra moral e pro bolso de Berlin. Só quebrando a normalidade da situação de “ah, eu vou ali na esquina e vejo uma banda bacana. ah, eu vou ali na outra esquina e vejo uma super exposição” pra galera sacar a importância de tudo isso que se tornou o óbvio, mas que de ordináio não tem é nada.
Triste está a situação dos artistas e dos espaços que não são públicos. TODOS os clubes, lugares como o Gretchen onde tocam gente do calibre de Mulatu Astatke, João Donato e Sean Kuti, estão fazendo campanhas pra poder pagar o alguél e suas equipes. A corda está no pescoço de geral! Eu, que por sorte não vivo da música, já perdi 4 Gigs como DJ só nessas últimas semanas… um amigo teve que cancelar um festival com mais de 15 shows programados… a única boa notícia é a agilidade como o governo reagiu a tudo isso. Um pacote de ajuda para artistas foi anunciado e em 15 dias a galera já comecou a receber uma grana pra aguentar esse primeiro baque.
Ainda não há previsão pra volta da normalidade, mas eu prevejo um verão muito louco pela frente. Além da euforia com a chegada do calor, vai rolar uma piration  generalizada depois de tanto tempo de moita.
Abraços pra geral & saudações listrarinhas.
João Xavi
PS: que saudade de ver o Mengão
PS 2: porra, parou tudo logo agora que o St. Pauli tava começando a engatar umas vitórias!
+
Subject: Calgary (CAN) …
“Estamos aqui isolation total na terra fria do Norte..!
Os calgarianos parecem com os Vulcanos , primos do senhor Spock, seguem as regras sem discussão, dentro de uma lógica óbvia de sobrevivência..!
Tudo de “olho parado“ vendo o vizinho USA viver o thriller de Michael Jackson sem os zumbis dançando..(infelizmente). Mas ,vida que segue ( e tem que seguir)
aqui no Canadá ,como aí no Brasa, sem o ronquinha ,por ora, agora ,com a saga #ocupa tempo …pra nos salvar do coronga e os trapalhões do planalto…
Espero que esteja sempre atento e forte Maurição!!
Fortíssimo abraço!!
Ronca forevis!!

Cheers 🍻”
Marcio

fechando abril1 com Ele no “ocupa tempo” #3…

lembra quando eu disse no roNca que se o programa pudesse ser alguém da música a escolha seria nina simone? pois é, se eu pudesse fazer a mesma “brincadeira”, ronnie lane seria o eleito… mole, mole, mole, acredite!

ronald frederick lane, muuuuuuito ídolo (mas muuuuuuuuuito ídolo)

oh la la…

ian stewart, ao fundo, no piano… ele mesmo, o caboclo que fez os stones junto com brian

barra pesada (ou a música salva)…

a comunicação com a ouviNtada é algo extraordinário, ela remove montanhas, anda sobre oceanos, bate de frente com os búfalos, uma fonte de energia “desconhecida”.

já comentei zilhões de vezes que se não fosse esse corpo a corpo com aTRIPA, na boa, o roNca seria passado… simples assim!

guardo há décadas muitas e muitas cartas (é verdade, elas existiram até ontem) que contam a História de nosso tempo… mas, sobretudo, das pessoas que foram fisgadas pelo poder descabelado dos soNs… sinistróide!

tem tempo que não menciono a missiva (talvez no roNca tripa / around 92  /  panorama fm) de um ouvinte policial que disse estar preso por ter dado um pipoco fatal num cidadão que, com uma turma, estava linchando seu filho numa festa… resultado, bangu3.

a carta é de arrancar sangue dos olhos, ainda mais (pra mim) quando ele diz que o programa era um bote salva vidas em meio ao massacrante terror da solidão… PQP!

pois bem, o tempo passou, estamos em 2020… e eis que chega – essa semana – a primeira comunicação enviada pelo leaNdro que passou pela mesma experience do ouvinte de 1992 …

“Errei muito nessa vida fiquei preso por 10 anos me regenerei, mas na prisão eu ouvia o ronca ronca nos tempos da oi FM… e mais o quanto me fazia bem, aprendi muito passei a ouvir certas bandas através sou fã ouço até hj. só queria q soubesse q o programa d vcs traz uma reflexão positiva… etc fã TDS vcs👏👏👏

Tinha na cabeça q um dia ia lhes dizer de alguma forma e agradecer.
Aí está”

Leandro

e aTRIPA de fora? (ou e xavi, evinha, gustavo, MBC, ralph, carmela, marcelo, ricardo, patricia, felipe…?)

no dia 20, coloquei AQUI os relatos de marcelo “caipirinha”, pedro “blackhill” e diegão de como estão as situations em leeds, londres e dublin. lembra?

as letrinhas ecoaram freneticamente na ouviNtada.

ontem, mostrei a mensagem do eduardo que está em paris… e neguinho pirou com a multa que está sendo imposta a quem colocar os pés nas ruas da cidade luz.

portanto, é a hora d’aTRIPA de fora se manifestar… procede?

hein?

eduardo, chengdu, paris…

em julho do ano passado, pipocou aqui no tico uma mensagem espetacular de nosso ouvinte eduardo – acima – que estava morando em chengdu (china)… lembra?

olha ela AQUI

em seguida, ele mandou outra mensagem também lá do outro lado do planetinha com relato cascudo e ótimas fotografias … AQUI

e aí, ele deu uma secada na correspondência, o tempo passou… e aí, o furacão covid-19 começou a soprar lá de onde ele estava… e ele sumido… mandei um pombo perguntando por ele… até que, ontem…

Assunto: Re: salve, eduardo! kédi tu, rapá? cheers

“Maurição e Nandão!

Galera! Que saudade doceis!
Depois daquela temporada em Chengdu, China, dei uma sumida do Ronquinha. Voltei pra Paris, fiquei preparando exposição, encomendas, me juntei com uma galera aqui e montamos um Squat (ocupação) de artistas num prédio enorme e muito doido. Doida também é essa turma e claro muitas experiências também maluquíssimas: exposições, acões artísticas, festas memoráveis, performances, protestos, suicídio, muita música, apresentações, polícia, drogas, muito vinho, etc. Estive no Brasil no fim do ano e acabei não conseguindo passar no Rio pra dar um abraço em vocês como combinado. E espero que antes do fim do mundo a gente se trombe ainda.
Por aqui ja vamos para a terceira semana enclausurados. Assim como no Brasil as medidas de quarentena vieram aos poucos e quando percebemos já não podia mais sair nas ruas. Aqui as pessoas precisam de uma declaração assinada dizendo o que vão fazer, o dia, a hora e blablabla, senão toma uma multinha de 35 euros e se é reincidente vai pra 130 euros. Bom, ainda não tomei a primeira. Estou fechado no Squat o tempo todo com mais 50 artistas. Imagina o tipo de quarentena que não tá rolando por aqui! ahahahah
Eu ia para o Brasil agora dia 8 de abril mas cancelaram meu voo. Não sei quando irei agora novamente mas assim que rolar prometo fazer aquela visitinha. Claro que depois dessa disgreta de pandemia.
Enquanto isso, assistimos abestados o fim de um tempo. As coisas irão mudar um pouco depois disso. Esperamos que seja pra melhor! eheheh
Vamos nos falando.
ah! Senti falta do ronquinha na semana passada.

abração forte pra vocês”

Eduardo